Como escolher um sistema para clínica de psicologia
A demonstração mostra o sistema no melhor dia dele. Estas são as perguntas que mostram o resto.
1. Como o preço se comporta quando a clínica cresce?
Existem dois modelos, e eles se invertem conforme o tamanho. Por clínica é um valor fixo: excelente para equipe grande, caro demais para quem atende sozinho. Por profissional acompanha o tamanho: justo para quem está começando, e precisa ter faixas decrescentes para não punir o crescimento.
A pergunta que revela o modelo: *"quanto eu pago com 3 profissionais, e quanto pago com 10?"*. Se a resposta ao dobro de gente for o dobro exato do preço, sem nenhuma faixa, a conta vai apertar justamente quando a clínica melhorar.
Cuidado com o limite disfarçado de plano: "até 200 pacientes" ou "até 500 atendimentos por mês" não é preço, é teto — e o teto chega sem aviso, no meio do mês.
2. Quem consegue abrir o prontuário?
Esta é a pergunta que separa software de saúde de software genérico de agendamento. Prontuário não é dado administrativo: o sigilo é obrigação do profissional, não preferência de configuração.
Pergunte especificamente: *a recepção consegue ler a evolução?* Se a resposta for "depende da permissão que você configurar", o sigilo virou uma caixinha que alguém pode marcar por engano. E pergunte também o que acontece quando a administração precisa acessar — deve haver caminho, mas com registro de quem abriu e quando.
3. A evolução assinada pode ser reescrita?
Registro que se altera depois de pronto não vale como registro. Um sistema sério separa rascunho — editável, apagável — de documento assinado, que fica como está.
Se tudo é sempre editável, o prontuário é um bloco de notas com nome bonito.
4. Como eu levo meus dados embora?
Faça esta pergunta antes de assinar, não depois de querer sair. A resposta boa é uma exportação que você mesmo dispara, a qualquer momento, em formato que abre fora do sistema. Respostas ruins: "abra um chamado", "temos uma taxa", ou o silêncio.
O dado é da clínica e do paciente. Um sistema que dificulta a saída está te cobrando pela permanência, não pelo produto.
5. O que não está no preço da página de preços?
Pergunte item por item, porque cada um destes já apareceu como cobrança separada em algum sistema do mercado:
- ✓
Implantação, treinamento e migração dos dados
- ✓
Mensagem enviada ao paciente — por mensagem, por pacote ou fixo
- ✓
Usuário de recepção e de administração (deveriam ser livres)
- ✓
Emissão de documento, laudo ou relatório
- ✓
Suporte fora do horário comercial
- ✓
Multa por cancelamento antes do fim do contrato
6. Quem responde quando dá problema?
Numa clínica pequena, sistema parado é agenda parada. Pergunte por qual canal você fala, em quanto tempo respondem, e — a mais reveladora — *quem* responde: alguém que conhece o produto ou um atendimento em camadas que repassa o chamado.
7. Teste com dado de verdade, não com a demonstração
A demonstração é a versão ensaiada. O que revela o sistema é usar uma semana real: cadastre um paciente com nome comprido, marque um encaixe em cima da hora, registre um pagamento parcial, um convênio, uma falta. É no caso torto que o software mostra do que é feito.
Se o teste exigir cartão de crédito na entrada, considere isso parte da resposta à pergunta 4.
Onde o PsicoSys não é a melhor escolha
Ele é feito para clínica de saúde mental e bem-estar — psicologia, nutrição, neuropsicologia, psiquiatria, fonoaudiologia, terapia ocupacional. Quem precisa de prontuário médico com prescrição, integração com laboratório ou faturamento hospitalar vai achar o sistema estreito, e com razão: ele não foi feito para isso.
Rede com mais de quinze profissionais também sai do preço automático e vira conversa — o que pode ser exatamente o que você quer, ou exatamente o que você não quer.
Perguntas frequentes
Preço por profissional ou por clínica: qual sai mais barato?
Depende do tamanho, e o ponto de virada é o que interessa. Por clínica costuma compensar em equipe grande; por profissional compensa em equipe pequena e média, desde que existam faixas decrescentes. Faça a conta com o número de profissionais que você tem hoje e com o que espera ter em um ano.
Sistema genérico de agendamento serve para clínica de psicologia?
Serve para marcar horário. O que costuma faltar é o resto: prontuário com sigilo por profissional, evolução assinada que não pode ser reescrita, repasse por atendimento e retenção compatível com o prazo de guarda do prontuário.
Quanto tempo leva para a equipe se acostumar?
A parte da recepção costuma ser rápida, porque a rotina é a mesma. O que exige hábito novo é o registro da evolução — e aí ajuda muito o sistema mostrar as pendências em vez de esperar que cada um lembre.
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